A Associação Angolana para Educação de Adultos, em consórcio com a Totticogo, deu início, nesta segunda-feira (16), à implementação dos círculos de alfabetização no âmbito do MOSAP III, com o intuito de fortalecer as competências de leitura, escrita e numeracia entre membros de comunidades rurais, integrado na primeira fase do projecto, que abrange municípios afectos às provincias de Benguela, Cuanza Sul, Huíla, Icolo e Bengo e Namibe.
O arranque das actividades representa a consolidaçao das diferentes fases deste processo ,abrindo espaço para uma participação mais activa das comunidades no processo de ensino e aprendizagem das comunidades previamente identificadas.

O processo de diagnóstico levado a cabo nas Escolas de Campo, revelou receptividade positiva, uma vez que as próprias comunidades recomhecem a relevancia da alfabetização no processo de inclusao social.
Para assegurar o processo de ensino e aprendizagem, o projecto conta com 138 facilitadores/alfabetizadores já formados, responsáveis por dinamizar os círculos e acompanhar os participantes ao longo do processo de alfabetização, que, para além do domínio da leitura, escrita e cálculos básicos, espera-se que os círculos de alfabetização contribuam para fortalecer o sentimento de pertença e melhorem o nivel de participaçao dos beneficiarios na vida publica da comunidade em que se encontram. O projecto preve alfabetizar cerca de 4764, distribuidos em 169 circulos.
No contexto das comunidades rurais, a aprendizagem da leitura e da escrita pode igualmente apoiar as actividades agrícolas e económicas das famílias, uma vez que agricultores alfabetizados passam a ter maior capacidade de interpretar manuais técnicos, registar dados de produção e negociar melhor os seus produtos, contribuindo para o fortalecimento da economia familiar e da organização comunitária.
Os círculos de alfabetização vão funcionar como espaços participativos de aprendizagem, nos quais facilitadores/alfabetizadores constroem o conhecimento em conjunto com os participantes. Com sessões organizadas em horários adaptados à rotina agrícola e comunitária, permitindo maior adesão e continuidade no processo de aprendizagem, usar-se-á a metodologia APLICA (Alfabetização Participativa Libertadora Instrumentada Por Comunidades Actuantes), que valoriza a experiência dos participantes, promove o diálogo, combate a cultura do medo e do silêncio e incentiva a utilização de materiais locais para tornar a aprendizagem mais prática e relevante.

Neste modelo, as sessões são realizadas com os intervenientes sentados em círculo, incentivando a troca de experiências entre os participantes e os facilitadores/alfabetizadores. As actividades incluem exercícios ligados à vida quotidiana, como leitura de cartazes comunitários, interpretação de informações úteis e realização de cálculos simples aplicados ao comércio e às actividades económicas locais.
Com o arranque destes círculos de alfabetização, as organizações implementadoras reforçam o seu compromisso com a promoção da educação de adultos como ferramenta essencial para o empoderamento das comunidades e para o desenvolvimento sustentável.
